terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Amsterdam.

E, finalmente, a viagem chegou ao ponto em que eu estou sozinha novamente.
E é bom.
É bom estar de volta, é bom escrever de novo. É bom ter tempo de estar sozinha e fazer absolutamente o que eu quiser, onde eu quiser. É bom estarmos só nós dois: Eu e o Pensamento. É bom ver a capacidade que ele tem de me provocar uma angústia feliz. É bom ver, flutuando por todo lado, as dúvidas que o nosso tempo juntos me provocam.
Se não escrevi mais aqui, que se assuma como um bom sinal: Nos últimos meses eu tenho vivido intensamente, completamente.
Mas, assim como as cartas que eu sempre escrevo e nunca mando porque estão velhas, os acontecimentos dos últimos 3 meses estão velhos. Velhos e frescos, velhos e indiscritíveis agora. Mas semana passada eu estava em Amsterdam, e realizei um sonho de muito tempo atrás. Meu primeiro sonho forasteiro. Fui à casa da Anne Frank.
Ao lado do quarteirão onde ficavam os escritórios de seu pai e o sótão onde as duas famílias se esconderam por dois anos, havia uma igreja. Uma igreja imensa, que eu nunca soube que existia.
Aos pés da construção, os bancos. Os bancos grandes que pareciam pequenos, e que faziam a gente parecer pequeno também. Para mim, foram as melhores invenções da cidade. Só porque me pareceram um convite para assistir a vida.

Caso qualquer pessoa vá a Amsterdam, antes de ver o bairro famoso, antes de ir a qualquer rua, a qualquer bar ou coffeshop, antes de sequer olhar para a igreja, para a fila da casa da Anne Frank: Eu recomendo que apenas se sentem num dos bancos gigantes.

Que importa se estiverem molhados como resultado da frequente chuva holandesa? Que importam os olhares dos ciclistas que passam? Sente-se num dos bancos; entregue-se ao acaso. Assista o mundo.

Assistir o mundo de um daqueles bancos repentinamente me deu a impressão de que eu estava no camarote de um espetáculo esplêndido. Onde, cada ato, cada fala, cada verso e cada linha; cada figurino - serve a um próposito que só se descobre no fim. Fim esse que não se sabe quando é, e nem se quer chegar. Fim esse que nem se sabe o que é.

Sentar-se num dos banquinhos gigantes de WestMarkt é como sentar-se no epicentro de um furacão fortíssimo e organizado. Onde tudo parece girar da forma correta. As casas magras e tortas umas ao lado das outras. As pessoas que, mesmo paradas no ponto de ônibus, parecem estar em constante movimento. Os bondes, os ônibus, as bicicletas. Até as luzes se mexem.

Sentar-se num dos banquinhos gigantes de Amsterdam é como escolher uma das poltronas e assistir a vida. E ver tudo passando, e caminhando. Ver tudo passando e ver que tudo acontece muito certo.

Sentar-me num dos banquinhos gigantes de Amsterdam me fez pensar, pelos poucos minutos que me foram concedidos pelo bonde que não chegava, que o mundo era mesmo muito bom.

E é bom pensar assim. Parece que tudo pode se tornar, realmente, um pouco melhor e mais justo.

De certa forma, depois que alguém senta-se num desses banquinhos, parece que eles continuam sempre existindo em todo lugar. Espero que ainda existam muitos outros.

Esse era o lugar onde eu queria estar desde os 13 anos.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

sexta-feira, 18 de junho de 2010

EE! Ame-o ou deixe-o.

EE é a sigla para Extended Essay, que eu descreveria (é assim? FFFFFU-) como uma monografia que decide grande parte do nosso IB diploma, cujo tema nós mesmos podemos escolher, e que ocupa o lugar de um dos deveres de casa que todos os alunos do Adriático têm para as férias. Delícia.

Pessoas normais reclamariam e diriam que férias com um dever de casa desses não são férias e esse tipo de coisa. Mas eu deveria confessar que AMO a existência de uma tarefa dessas, porque me deu a oportunidade de estudar algo pelo que sou apaixonada (provavelmente depois de ler tudo o que tenho de ler vou acabar detestando, mas ainda assim, prefiro detestar depois de saber muito...).

Estou fazendo o meu em História, e a pergunta base pra minha pesquisa poderia ser traduzida mais ou menos como "Como e até que ponto a ditadura militar brasileira de 1969 a 1974 influenciou a educação pública na cidade do Rio de Janeiro?"

Eu amo amo amo temas envolvendo educação, amo estudar sobre esse período, e vou amar o clima profissional com que a pesquisa tem de ser feita.

Agora, digam-me. POR QUE RAIOS eu só encontro livros + documentos que dizem que a ditadura militar teve efeitos negativos na educação pública?

A gente sabe a resposta. hahah

Maldita necessidade da imparcialidade, sinceramente.

YAY!

Do lado de fora.

Estar do lado de fora da utopia é um tanto quanto assustador. Assustador porque estar de volta ao Rio, desde o momento em que o avião sobrevoou a cidade ao entardecer, revelando milhares de luzes, me fez lembrar que o mundo é grande - e muito. Não se resume aos 4 mil habitantes de Duino, onde é fácil reciclar, onde é normal separar o lixo, etc, etc, etc.

A percepção do quanto o mundo é grande - do quanto o Rio é grande - me dá medo simplesmente porque eu vivi numa realidade próxima àquela que eu idealizo e, quando me vejo do lado de fora, sinto-me quase perdida. É difícil saber por onde começar, e seria quase cruel, quase ridículo, ir falar à população pobre que vive cada dia se preocupando com o de comer no dia seguinte, que eles deveriam se preocupar em separar o lixo que usam, em preservar o ambiente, em não deixar a torneira ligada.

Cansei de ser olhada como se eu fosse retardada quando eu dizia algo como "mas isso não é ecologicamente correto".


IM NOT A TREE-HUGGER, FUCK!

(Não dá pra fazer a frase acima piscar em neon estilo Moulin Rounge?)

De qualquer forma. É difícil não saber por onde começar, e só agora me sinto à vontade para escrever aqui sobre parte dos 3 meses que figurarão o meu retorno - ainda que temporário.

Foi difícil também me ver sem ter o que conversar com as pessoas a quem considero melhores amigos. Digo, sem ter o que realmente conversar, à parte de sessões de perguntas sobre o que aconteceu na minha vida. Aconteceu até com o meu pai, que por duas semanas reduziu nossas conversas a perguntas e respostas.

Depois de um tempo eu, e as pessoas tambem, conseguimos chegar ao balanço de conversar normalmente e as informações sobre o tempo de distância vieram normalmente, do jeito que a gente gosta. Let it be.


Aos poucos me acostumo a estar em casa de novo. Televisão ligada o tempo inteiro figura meu inferno diário. ODEIO ESTA PORRA. Nescau na cama aos fins de semana, frutas chegando aqui em casa, carregadas pelo meu pai quando vem pra rua, e ninguem, eu digo NINGUEM pulando nelas e gritando "FRUUUITS!". Maravilha.

É bom estar com as pessoas daqui, vê-los, me adaptar de novo. É bom estar com as pessoas aqui de casa (e isso NÃO inclui os três gatinhos infernais da minha irmã), ainda que, pelos meus posts relutantes em deixar Duino, eles tenham acreditado, profundamente, que era um sacrifício pra mim ter de voltar.

AH, se eu pudesse ser explícita... Não haveria mal-entendidos.



BTW...

Mudei o troço do blog e coloquei uns negócios baratos-coloridos-wannabe-cool. Depois melhoro esta merda.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Quem quer sair da bolha?

"God, I'll miss you a lot..."
"You know I'll miss you, dont ya?"
"Yeah."
"I'll miss you... more than you imagine I will."

Não quero ir embora. E mesmo que me digam que eu vou voltar depois do verão (ou inverno pro hemisfério sul), e mesmo que eu saiba disso também, nada me faz querer ir embora de Duino agora, ou deixar de pensar que nunca mais vou ver a Duino que eu conheci esse ano. Porque quando eu voltar Duino vai ser outra. Vai ser Duino sem Dylan, sem Aye, sem Anita, sem Anna, sem Arnóia, sem o Serginho, sem o Giovanni, sem Mirko, sem Nienke, sem Anabel, sem Alma, sem Dorka, sem Joyce, sem Hemayat, sem Habib (and the lame jokes), sem Ben, sem Tomas, sem Celestina, sem tanta gente.

A quota de lágrimas podia expirar hoje. Daí amanhã, quando eu entrar no ônibus e ele ficar aqui, ainda me destrua do jeito que sei que vai, as aparências de um não-desastre serão respeitadas.

Fins são consideravelmente assustadores. Quando se olha para o céu de Duino a gente quase vê a crosta da bolha que nos envolve, de tão azul que é o nosso céu, de tão brilhante que é nossa lua iluminando o mar que mais parece uma piscina.

A verdade é que, enquanto nós, first years, não queremos viver sem pessoas tão especiais quanto os nossos secondos, os últimos não só sentem por se despedir de duas gerações de uma só vez, mas também têm medo do que vem quando deixarem a bolha. Solidão, ineficiência, incerteza.

Duino é um paraíso.

sábado, 15 de maio de 2010

AAAAAAHHH!

Toda vez que penso em postar qualquer coisa aqui no blog, tudo o que consigo pensar em escrever é sobre o quanto estou adorando Duino agora e o quanto quero ficar aqui mais tempo com as pessoas que eu adoro.

E bom, é claro que eu vou voltar em setembro, e que vou conhecer meus primeiros anos, que eu já tanto amo (todos eles, sejam brasileiros ou não). E é também verdade que nos meus primeiros 3 meses todas as minhas opiniões sobre oc olégio eram terríveis e critícas.

Críticas ainda são, mas talvez porque eu agora conheça o lugar aonde estou e como as coisas funcionam por aqui, minhas idéias sobre o colégio são muito mais positivas. Lembro que nos meus primeiros meses eu não tinha muito tempo pra pensar porque tudo era muito intenso, lembro que eu estava decepcionada com o nosso headmaster, e com a forma como a relação entre alunos e professores acontecia aqui.

Ainda acho que tudo isso tem de melhorar - e vai - mas agora os momentos que eu passo com as pessoas quese tornaram minhas amigas são muito mais fortes. A verdade é que, se o segundo semestre de UWC foi util pra algo, esse alo foi o fortalecimento de amizades que eu não imaginava que pudessem ser tão próximas.

Eu amo Duino, amo minhas roomas do ano que vem, amo andar pela floresta, descobrir praias secretas, amo o gramado do fore lawn, amo as conversas que tenho com as pessoas aqui.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

You didnt leave yet.

Ontem eu estava conversando com o Dylan até as 4 (ou mais) no dayroom da Scholtz, como de costume. E ele pensa tanto em tudo, sobre tudo.

E ele me disse que se arrepende de não ter feito determinadas coisas, e que não sabia como seria passar um ano no Chile por conta própria, e que ter que construir uma vida nova a cada vez que a gente deixa um lugar é difícil.

E de fato, é. Mas eu tive de lembrá-lo de que ele ainda não foi embora, e que nós ainda temos uma semana e alguns dias. É TÃO POUCO. É tão pouco pra Duino, e pra mim. A cada dia minha certeza de que eu amo esse lugar, o colégio e as pessoas que estão aqui só aumenta, e a cada vez que alguem me lembra dos dias que faltam pra que eu volte pra casa, por mais que eu ame tudo o que está lá, o que eu penso é que eu não quero voltar. Quero ficar aqui, quero passar tardes como as que passei hoje, sentada na varanda da mensa, no sol, com o mar na frente, nuvens refletidas no mesmo, uma voz falando comigo. Quero passar noites em claro como já fiz tanto, quero ir nadar no Porto por uma quantidade infinita de vezes.

E, mais que tudo, não quero que pessoas lindas deixem o colégio. Quero MUITO receber meus primos, todos eles. Os brasileiros, europeus, africanos, asiaticos, quem sejam, já os amo todos. Mas amo muito a Ayelen da Argentina, minha seconda que foi mais importante do que ela pode imaginar. Não quero que a Anita do Zimbábue e a Anabel do México vão embora e eu não tenha mais o quarto delas pra visitar. Não quero que o Hemayat de Bangladesh me deixe sem os abraços maravilhosos e o Habib do Líbano me deixe sem as piadas terríveis que ele conta. O Sergio da Bolívia, a Alma da Eslovênia e até a minhas roomates da Bósnia e România, que me provocaram tanta tristeza e risadas no mesmo ano vão fazer falta (é bom rir da superficialidade da Ajla, só de vez em quando, e surtar com a bipolaridade da Celestina). E não quero que o Dylan vá embora, também, apesar d'eu saber que ele vai ter um futuro invejável.

É só muito estranho o fato de que eu só tive um ano com pessoas que eu amo TANTO e que muitos deles não vou ver mais.

Duino hoje estava linda, linda, linda, e da varanda, quando eu olhei pro mar na direção do Brasil, como faço sempre, me senti mais pertencente a Duino, mais do que nunca.


"Ive lived for so many years going to parties and watching people dancing. And I would always want to do so, but I would be too silly to do so. I would always say to myself that in the next song I would stand up, but the next song would be bad, and so would be the next one... One day I stopped watching people dancing and nw a good song is playing everywhere I go. Right now, for instance..."

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A tribute for Mr. Bauld.



"Do you know what's crap, guys?"
"LOL Of course, heh"
Prashamt: "Oh yes! Its this animal that lives in bottom of the sea!"



Julian Bauld, o melhor professor desse ano, que não nos limitou a vocabulário e decidiu que a gente devi escrever um pouco mais, e que fez a gente conhecer tanto de literatura na língua inglesa. E ainda tem um senso de humor incrível. Mas depende...

sábado, 1 de maio de 2010

Nada brilhante. O progresso, porém...

No UWC day, um dia que nós tivemos aqui no colégio e quando aconteceram uma série de worksops discutindo o nossocolégio e tudo mais, eu participei de uma discussão sobre o IB Learner Profile. Desse documento, nós escrevemos um manifesto, dizendo, bem claramente, o que esperávamos do IB e o que entendíamos por eucação. Bem idealista.

Falando assim pode parecer que eu sou uma pessoa que adora escrever documentos, manifestos e derivados. Wannabe revolutionary. Olha, talvez, é. Eu gosto de falar quando algo não me agrada. E quando não se pode falar, a gente escreve.

Porém, o tal manifesto do qual estou falando aqui foi organizado por dois funcionários que eu adoro, o Alberto e a Valentina. Tal manifesto foi apresentado no ultimo dia 29, numa conferencia em Trieste sobre educação na região do Adriático.

Um bando de alunos daqui do colégio foram a reunião, incluindo a minha pessoa. Nós deveríamos falar, na frente de todas as pessoas lá presentes, apresentado cada  um, um tópico do manifesto.

Que se deixe claro que eu aqui escrevo não pra falar sobre o manifesto em si, porque sobre essas coisas eu já estou cansada de escrever e de conversar, sinceramente. Mas esse post eu senti vontade de escrever pra falar do discurso que eu tive de fazer na tal conferência, o discurso que eu fiz em inglês.

Foi a primeira vez que eu tive de falar na frente de tantas pessoas, em inglês. E, bom, quem já leu os posts do início do ano letivo bem sabe que eu era um lixo falando em inglês.

O negócio é que, quando eu aceitei ir à conferência, nem sabia que tinha de fazer um discurso, pensei que fosse só assistir. Na noite anterior ao tal evento, fiquei sabendo do discurso e lembro de ter escrito o mesmo meia hora antes de sair da minha residencia pra pegar o onibus do colegio e ir a Trieste, onde tudo aconteceria.

"Tudo" aconteceu num hotel em trieste, do tipo que a gente aqui classificaria "posh". Tivemos de usar roupas formais, falar formalmente e ficar entediadíssimos, claro.

Em certo ponto chamaram meu nome, eu me levantei, bateram palmas. Eu não sei POR QUE as pessoas bateram palmas quando eu me levantei. Ninguém ali me conhecia. Eu poderia ser a pior pessoa do mundo, mas eles iriam ainda bater palmas. Detesto essas coisas feitas só por educação.

De qualquer forma, eu me sentei na tal cadeira, coloquei o microfone da mesa mais pra perto de mim e comecei a falar. O papel com o discurso estava na minha mão, mas eu não li coisa alguma. Meu discurso não foi dos mais formais do mundo, porque eu simplesmente senti que TINHA de falar de forma que fosse natural e que expressasse minhas idéias de verdade - E que não fizesse as pessoas dormirem.

Falei tudo, expliquei, dei exemplos. Quando eu terminei alguém, numa das primeiras filas, disse algo como "brilhante" enquanto batia palmas. Eu procurei com os olhos quem o havia dito, mas a palavra já se tinha ido. O que eu disse não era brilhante. Mas só o fato de ouvi-lo me fez imensamente feliz, pelo fato de que tinha sido meu primeiro discurso em inglês. Sem gaguejar. Sem querer expressar uma idéia sem conseguir.

Eu queria que meu professor de inglês (aquele, que eu detestava no início do ano) estivesse lá e tivesse me visto. É só que eu fico feliz quando vejo o quanto progredi aqui, o quanto minhas perspectivas mudaram, minhas atitudes mudaram, e o quanto aprendi. Escrevi aqui porque queria só dividir o quanto feliz me faz ver que agora eu posso escrever histórias em duas línguas, que, quando temos de escrever redações e depois lê-las pra classe inteira, toda  a minha turma presta atenção quando leio o que escrevi, e depois as comentam, mesmo que muito tempo depois, porque não as esquecem.

Adeus frustração falada e escrita.

"What did you do there?"

It is in moments like these that we all need, irrespectively from our age, the reassurance about the meaning of our actions and I am sure that, despite the natural hesitation and uncertainties of the moment, you would all feel comforted by the fact that in the choice between silence and speaking you chose the latter. I am sure that you would have felt much worse if you had remained silent. One day, far in the future, you would reflect about the meaning of having come to our college in Duino. Maybe your children would ask, “What did you do there?” Your answer should be “I did so many things, much of them so worthwhile and when we saw a way to make the place better, we did not remain silent.” This is valid for your family, for your friends, for your country.



Tenso, tenso, tenso. Lembro que desde o convivio de seleção pra UWC, percebi que, caso fosse aprovada, teria muitos momentos tensos - E intensos. Vi tambem que sobreviveria a todos eles.

Porque às vezes a gente tem de ser narrativa.

Na ultima quinta feira os alunos do Adriático receberam um email assinado por um grupo de segundos anos, chamando um encontro de alunos no Social Center, porque, não era de hoje, todos sabem que existe muito sentimento de descontentamento, dos alunos com relação à administração. E é verdade. Nosso diretor expondo uma opinião em frente aos alunos e outra completamente diferente diante dos professores, professores tomando atitudes que veramente desrespeitam os princípios do colégio, e por aí vai.

Pois bem. Nos encontramos, discutimos por horas. O resultado foi um documento de dezoito páginas, com muito eufemismo, explicando por que os alunos acreditavam que a comunicação entre estudantes e administração não estava funcionando bem, e basicamente dizendo que encontrar um professor bêbado as 3 da manhã, cantando alto e acordando os Duineses não era a melhor coisa a se fazer pra ajudar a imagem do colégio.

Lembro que na noite em que nós tivemos o encontro eu fiquei extremamente chateada e fui pra Ples conversar com os meninos de lá, porque no fim eles sempre têm uns bons conselhos a dar. Discutimos muito, e eu expliquei que um dos meus maiores medos em escrever o documento era a reação que ele causaria nos professores - que, até onde eu conheço as coisas aqui, não seria boa, definitivamente.

Pois bem. Passa-se que meu medo da reação não era simplesment pelo grupo, mas por mim, também. Porque eu tinha um "caso" pra contar e que seria posto no documento. Era bem relevante, o que eu tinha a dizer, e eu tinha certeza de que seria algo que precisávamos melhorar aqui no colégio. Era absurda a falta de profissionalismo de alguns professores.

No fim, eu não sei se foram os meninos da Ples quem me ajudaram a enxergar, ou se eu quem enxerguei sozinha. Mas eu vi que eu não vim pra cá à toa. E, no futuro, quando alguém me perguntasse o que é que eu fiz aqui, eu poderia dizer que tive muita diversão, que estudei muito e que fiz amigos maravilhosos, e que nós, juntos, quando vimos que tínhamos de fazer algo para provocar mudança, entre calar-se e falar, escolhemos a última opção.

Depois que o documento foi apresentado alguns professores gritaram com a gente numa indignação sem tamanho. Gritaram com a gente na mensa. Depois que o documento foi apresentado duas professoras decidiram que não iriam às suas classes por dois dias, numa demonstração sem tamanho de infantilidade e falta de amor pela própria profissão.

Depois que o documento foi apresentado a Helen, a professora sobre quem escrevi o "caso", veio falar comigo e nós nos entendemos de forma adulta. Eu expliquei a ela que achei que o documento seria a forma mais eficaz de expressar e explicar o ocorrido porque eu não me sentia confortável conversando com ela diretamente, porque ela não parecia realmente dialogar, mas monologar. Porque não achava que, s e eu fosse conversar com alguém dobre o ocorrido, coisa alguma fosse mudar - Eu já tive experiencias suficiente de coisas do tipo.

Ao fim, eu sei que fiz a coisa certa. Se eu não houvesse assinado o documento, se não houvesse ajudado a escrevê-lo, ficaria com o sentimento de que dei pra trás no momento em que meus colegas e eu mesma precisava de mim, sentiria que dali pra frente, toda vez que eu reclamasse sobre qualquer evento, não seria uma reclamação com fundamentos, uma vez que, quando tive a oportunidade de mudar as coisas, preferi me preocupar mais com as minhas predicted grades.

Ao fim o Manuel, um professor de economia que não dá mais aulas aqui, mas que veio conversar com a gente algumas vezes, respondeu um email bem chateado que eu mandei a ele, e me confortou de forma que ele não poderia imaginar.


domingo, 18 de abril de 2010

Shai and Phoebe.


Shai, na esquerda, e Phoebe, no centro, sao algumas das criaturas que eu mais adoro e com quem eu tive a sorte de dividir a residencia esse ano. E, sinceramente, so durmo na Scholtz por causa delas duas, que me fazem capacitada pra rir dos absurdos que a gente ve por la.

A Phoebe é minha roomate esse ano e é da Australia. é incrivel como ela é educada e tudo mais. Se ela te pergunta a hora e voce tem que se dar ao trabalho de tirar o celular do bolso pra dizer que horas sao, o que ela faz? Ela diz "Oh Im sorry", é incrivel.

Na verdade ela tem parado um pouco com esse tipo de coisa, uma vez que eu disse a ela que, se todas as vezes que ela me perguntasse a hora e dissesse "Im sorry" quando eut iro o celular do bolso, eu iria me sentir mal em perguntar as horas à ela, e se sentir mal em perguntar as horas a alguem é meio depressivo e absurdo e tudo mais.


Mas ela tem essa voz extremamente fofa, e quando ela nao entende o que voce fala, ela diz "Pardon?" e nao "Im sorry?", o que eu acho um barato. Ela tambem tem o mesmo nome que a irma do Holden, de The Catcher In The Rye, o que so me faz gostar mais ainda dela. Ela tem essa coisa meio louca de encher a parede dela de cartoes postais aleatorios e desenhos que o irmao menor dela desenhou. Ela nunca tira os cabelos da escova de cabelos dela.

A Shai, bom. A Shai é metade israelense e metade brasileira, falando um portugues MUITO engraçado - Mas que melhorou muito do inicio do ano pra ca. Ela é uma das pessoas mais musicais que eu ja conheci. Ela toca guitarra e é capaz de aprender e memorizar uma musica num segundo. O negocio é que ela nao so aprende musicas muito bem, mas tambem as faz muito bem. Qualquer banalidade pra ela é motivo de musica. Como exemplos nos temos "Phoebe dont be an emo" e "The balad about a Brazilian Girl With a Brazilian Accent".

Enfim, eu so senti vontade de falar das minhas roomates do ano que vem, e do quanto eu as adoro. :3 Pala nos aguarde.

Ciao!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

As idéias que existem na cabeça.

E, principalmente, quando nao tem a menor pretensao de acontecer, me atraem, e muito.

Eu bem sei, e aqueles que me conhecem bem sabem, que eu nunca gostei de falar sobre coisas muito pessoais - Principalmente num blog que pessoas completamente aleatorias podem ler e tudo mais. Nao sou das pessoas que explanam coisa nenhuma e tudo mais. Primeiro porque nao vejo razao para que as pessoas saibam demais sobre minha vida, e, segundo, porque eu gosto da idéia de que alguns fatos sejam so meus e de ninguem mais.

Hoje, quando eu estava voltando da Mensa com o Hem, Habib e Earth, estava falando com eles sobre alguma coisa relacionada ao que o colégio poderia ser, e num certo ponto o Hem me disse "é, voce pensa isso porque é idealista, e nos todos somos".

Depois que ele disse isso, e agora que eu estou sentada aqui, vejo que é verdade mesmo o fato de que eu sou idealista, e de que adoro idéias, principalmente aquelas que tenho sem a pretensao de que se realizem.

O curioso, nos ultimos meses - Ultimo ano - é que a maior parte das coisas que eu penso, que eu imagino, meio assim sem pretensao - tem se tornado realidade, todas. é o perigo de pensar alto.
Eu sinceramente nem percebi que pensava sobre isso. Quando vi ja tinha se materializado, e logo ja acaba. é o meu mal idealista. Eu sempre gostei muito do que nao pode ser realidade - Ou ao menos nao pode ser realidade por mais de dois meses, que seja.

"Good things are ephemeral!" (Coisas boas sao efemeras!), foi o que eu escrevi no espelho da Ayelen, minha IB friend.

Deveria ter escrito no meu tambem...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Comunista por 3 dias.

Quem me conhece bem sabe que tenho simpatia por movimentos de esquerda - Embora esteja longe de me considerar comunista. Acho mesmo que se Comunismo fosse um garoto, seria do tipo "bonitinho, mas quando abre a boca espanta qualquer uma". E que se economize criticando a analogia idiota, uma vez que nenhuma analogia e perfeita.

Pois bem. Como eu disse em alguns posts anteriores, fui representante da Yugoslavia por 3 dias na MUN, e, acreditando que os outros dois dias tambem mereciam devida descricao, vim parar por aqui.

"Dear Chairs, fellow delegates... To the delegation of Yugoslavia it seems clear that the actual intentions of the USA's interventions in South Korea are NOT the South Koreans' well-being or comfort! Fellow delegates, it's clearly an attempt to incorporate the cold war in a poor territory to fight against a beautiful ideology, and this ideology is the communism!"

Isso foi o que eu disse num dos momentos, com meus "colegas" de comite me olhando com cara de assustados. No MUN, onde fui comunista por 3 dias, em certo ponto acabei entrando de verdade no jogo e defendi a Iugoslavia, pobre Estado-Fantasma, com bravura - ate porque todos os meus co-years e second-years dos paises balcas me perguntavam o tempo todo algo como "E ai, esta defendendo a gente, drugarise?"

O que eu penso de todos esses 3 dias e que, mesmo tendo de usar a linguagem formal perfeitamente inutil, mesmo me estressando com o comportamento arrogante de certas pessoas, valeu muito a pena e eu aprendi milhares de coisas.

Dentre as pessoas que me irritaram veramente, estava o Garoto Donut. Passei a chamar-lo assim depois de uma vez em que ele, ao responder uma das minhas falas, disse algo parecido com "Queridos delegados... A delegacao da Austria pensa que os argumentos usados no discurso da delegacao da Iugoslavia sao como um grande donut: Muito doces, mas com um grande buraco no meio".

Eu fiquei puta. Nao pelo que ele falou sobre meu argumento (porque era mesmo falho, mas eu TINHA de usar, uma vez que era o ponto de vista da fuckin Iugoslavia), mas pela analogia babaca que ele usou - E ve-se que ja estou sendo atingida, apontando como sintoma a analogia babaca que fiz no comeco desse post.

Eu contei a minha roomate da Australia e ela disse que isso e absurdamente ridiculo para se dizer em ingles - E em qualquer lingua, for God's sake! Pelo sim pelo nao, logo depois da analogia feita tudo o que eu pude dizer ao delegado da Austria foi que nos poupasse, por gentileza, das analogias infantis e nos presenteasse com um argumento de verdade, uma vez que a delegacao da Iugoslavia se sentia veramente ofendida por ir a uma conferencia das Nacoes Unidas e ter que presenciar e ouvir tal discurso de tao respeitavel delegacao como a da Austria.

No fim dos 3 dias, o problema do Territorio de Trieste foi resolvido, com tropas da UN ocupando a fronteira por um periodo limitado a 10 anos e com financial aids dos aliados para a Italia e Iugoslavia (LOL). Nos tambem impedimos a Guerra Koreana de forma LINDA, usando The Veto Power numa das vezes pra embarreirar a resolucao do Reino Unido.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Guatemala!

YAY

Ciao belli!

Ja sei quem vai ser meu primeiro ano da Guatemala. *-* O nome dele é José Luis, e parece ser um amor de pessoa - E mais, vai ter uma segundo ano maravilhosa, que é a Ligia.

Hoje estavamos tomando café depois do almoço e eu, Ligia e Pabel estavamos falando dos apelidos que ele poderia ter. Claro que eu falei Zezinho (LOL), mas a Ligia e o Pabel vieram com uns troços super estranhos de Pepecho Jucho ou algo do tipo. Hahahah.

Ao mesmo tempo que eu estou imensamente ansiosa pra conhecer meus primeiros anos - Ou primos, como a gente chama aqui - nao quero que eles venham, nunca.

Ter começado tudo isso so com  um mes e poucos dias é TAO injusto. E a nossa incapacibilidade(?) social nos fez gastar tanto tempo.

domingo, 11 de abril de 2010

Looking at Trieste's light.

Eu deveria falar aqui sobre os segundo e terceiro dia de MUN no Adriatic. Eu deveria falar da festa de encerramento que tivemos ontem - Pra gente tudo é motivo de festa, heh. Eu deveria falar da mesa que se partiu ao meio no auditorio porque as pessoas simplemente a usaram de palco durante a festa: Sanel fazendo o cover de Lady Gaga, Tereza com uma suposta strip e por ai vai. E, por ultimo, eu talvez deveria falar do quao engraçado foi ver as pessoas caindo da mesa (nao me culpem, evitar humor negro em tal situaçao foi impossivel).

Mas nada disso é realmente importante nos ultimos dias, porque o que importou de verdade, e o que importa, nao me custa sequer uma linha inteira para descrever.


Sem fim.

HELL YEAH.

sábado, 10 de abril de 2010

RANDOM!

http://www.youtube.com/watch?v=Spg9I_hpffY


Esse é um video MUITO aleatorio em Russo, que fala de um garoto que quer ir pra uma cidade chamada Tambor.

A Maris, dos Estados Unidos, estava aqui agora escutando Tic tic tic tac, AQUELA musica brasileira com significado profundissimo, famosa quando eu tinha uns 5 ou 6 anos.

Dai a Marsha, da BelaRussia, veio pro meu pc e me mostrou o video da musica em Russo. MUITO comedia, tinha que postar aqui. Mais tarde, a servente daqui do colégio que é Russa me explicou o significado, o que faz o video e a musica mais random ainda.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

MUN - Model United Nations. 1° dia.

Tenho de começar explicando o que é MUN, e pra que isso serve.

MUN significa Model United Nations, que é uma simulaçao de conferencias realizadas pelas Naçoes Unidas. Praticamente qualquer colegio pode realiza-la, caso se conheçam as regras (que sao extremamente restritas) para a realizaçao, e caso se distribua diferentes paises entre os alunos, que podem ser embaixadores, delegados, mesa, etc etc.

Aqui no Adriatico nos realizamos um MUN a cada ano, com todos os primeiros anos participando.

Pois bem. Foi-me dado o papel de delegada da Iugoslavia, no Historical Security Concil (Conselho de Segurança Historico), que basicamente trata de conflitos ja tratados antes pelas Naçoes Unidas no passado, sendo assim parte da Historia.

Os topicos tratados sao o territorio livre de Trieste e a declaraçao de agressao à Republica da Korea, ambos sendo topicos pertencentes ao periodo pos Segunda Guerra Mundial.

Mas isso nao importa. Eis que todos nos vamos nas nossas roupas formais (o que é um barato, me sinto ate seria na saia de cos alto e camisa social, com meia calça e salto alto), sentarmo-nos nas duras cadeiras da sala 14 por horas, em discussoes exaustivas.

Dois alunos convidados de outros colegios demonstraram um comportamento extremamente destrutivo e egocentrico no inicio da conferencia, uma vez que, sendo a primeira vez de MUN para a maioria dos alunos aqui, nos nao sabiamos ocmpletamente sobre todas as regras minuciosas de operaçao de uma conferencia, e os citados estudantes fizeram questao de usar tal fraqueza para que a intimidaçao dos outros delegatos fosse efetiva e eles proprios, mesmo que nao soubessem muito sobre o topico tratado, pudessem impor opinioes sem bases realmente historicas.

No fim, coisas impossiveis aconteceram. Iuguslavia e Italia concordaram nos termos de resoluçao do conflito, enquanto UK e USA se matavam pedindo pela presença das tropas na regiao dividindo a regiao entre Italia e Iuguslavia. Austria, que nao tinha o direito de votar, acabou influenciando opinioes profundamente, e Egito, que incialmente argumentava a favor de todo o territorio sendo dado a Iuguslavia, terminou sem concordar com coisa alguma.

Bagunça regada a palavras formais e coisas como "Honorable chairs, fellow delegates" e "Dear delegate of Iuguslavia, the delegation of Austria thinks...". Eu acho isso um completo lixo, sinceramente. Tem-se de adimitir que é um tanto patetico quando, para ir ao banheiro, voce tem de levantar sua plaquinha e dizer algo como "Ponto de Privilegio Pessoal".

Pra mim parece muito mais um bando de adolescentes arrogantes brincando de usar vocabulario formal, sem saber o que significa respeitar aos outros de verdade.

De qualquer forma, é, foi e vai ser muito util pra mim. Discursos formais sao algo que eu definitivamente preciso aprender, mas eventos como o de hoje me fazem duvidar MUITO se a profissao de diplomata é algo realmente feito pra mim.

Eu quero uma vida sossegada, e ambientes competitivos me fazem demasiadamente agressiva.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O sabor da permanencia.

Nesses dias de feriadao - aos quais chamamos de Long Weekend - nao fui a lugar nenhum, e a muitos lugares ao mesmo tempo.

Eu sinceramente penso muitas vezes que a unica coisa que eu deveria fazer aqui no UWC é conversar de madrugada. Nada de prazos, nada dos milhares de essays que eu tenho de fazer, nada de pesuisar faculdades pra ir, nada de pensar no meu goddamn EE. Nao ha nada melhor, e nenhuma conversa flui melhor do que aquelas ocorridas na noite. Eu vim aqui pra conhecer gente e ganhei a obrigaçao do IB de brinde.


----x----

A conversa começara. Dava-se muito mais pelo fato da simples presença que pelo assunto em si. Nao importava, de fato, enquanto os olhos pequenos continuassem ali e os sorrisos de canto se mantivessem. Falta de habilidade social traduzida em forma de conversas vazias sobre educaçao e experiencias vividas. Ironias ao falar de politica para preencher o vazio do assunto e a clareza do objetivo da conversa. O pai havia sido professor, o livro era sobre o inicio do século passado. Nao importava. As perguntas nao eram feitas por motivo de interesse no que o outro tinha a dizer. Mas em como o outro iria faze-lo. O prazer do escutar a voz.
Um mes e meio.

sábado, 3 de abril de 2010

A New Perspective.

"Lost: My sanity."
"Found: A new perspective of life".

Foi o que eu vi no quarto do Hemayat, meu segundo ano de Bangla, e uma das pessoas mais fantasticas que conheci aqui.

Lembro de que quando eu li achei engraçado, e comigo mesma, pensei que eu queria ganhar uma nova perspectiva tambem, ao inves de insatisfaçoes e decepçoes. Eu estava nos primeiros 3 meses de UWC Adriatico.

Agora falta menos de um mes pra que pessoas lindas como o Hemi, Aye, Arnoia, Anabel, Dorka, Sergio, Ben, Christoff, Rezza e mais um bando deixem o colegio, e eu sinto que encontrei a nova perspectiva.

Antes de ontem tive uma das noites mais "UWC" que ja tive aqui. Foi bem simples, a gente nao precisou de muito. Eu, Phoebe, Allisha, Merita, Anna e Graciela jantamos e ficamos na cozinha da minha residencia, conversando. Até as 4 da manha.

Num dos momentos da conversa, veio à minha cabeça a vez em que um menino do UWC Mostar me perguntou "De que forma voce acredita que o UWC tenha mudado sua vida?"

E, pra ser sincera, nao acho que o UWC tenha mudado minha vida. Mas me deu uma nova perspectiva com relaçao a mesma.

Meus valores mudaram.





acima: a coragem de mostrar a foto com o ponto de vista mostrando teu pior angulo: Nao tem preço.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

"Its boring, its so fucking boring!"

Foi o que eu ouvi da minha professora de economia, quando a mesma escutou, por acidente, o Emilio comentando que o papel do Student Representative era criar pontes entre alunos e professores.

Num colegio como o UWC, com um grupo de pessoas que afirma estabelecer uma relaçao diferenciada e nao-hierarquica com os estudantes, nao espera-se ouvir algo do tipo. A verdade é que os professores tem uma importancia enorme no ambiente que o nosso colegio assume, e, caso tivessem mais contato com os alunos, caso fossem - so de vez em quando - mais humanos e menos profissionais, eu acredito que o nosso colegio poderia ser ainda melhor do que é.

Foi sobre isso que eu e mais uma duzia de pessoas estivemos conversando com os Student Reps. A gente precisa que os professores nos conheçam, precisamos conhecer os professores, porque eles sao parte dessa experiencia. Eu vim aqui pra ser inspirada, pra conhecer gente, pra estudar gente. Quando as relaçoes nao sao encorajadas a sair do superficial, tudo o que se pode conhecer é um grupo restrito de pessoas, que geralmente dividem com voce uma serie de opinioes.

Ontem as 7 nos tivemos nossa primeira sessao de "Mensa Poetica" ou algo do tipo. Uma reuniao ao mesmo tempo que a mensa, para aqueles que se satisfazem em alimentar-se de poesia (HAHAHA). A Shai mandou um email convidando ao colegio inteiro, e, pela primeira vez, os professores foram incluidos em emails com iniciativas de alunos.

Funcionou. A ideia dessa atividade é simples. Pessoas vem, trazendo poesia dos seus paises que signifique algo para elas. Elas leem as poesias, traduzem pro ingles, e depois se discute. Funcionou, e a Sarah, professora de E. Systems e Arts, compareceu. Foi lindo. Pela primeira vez um professor abandonou a capa profissional e foi pra participar, e so.

Essa foi uma das minhas atividades preferidas aqui, sinceramente. Nunca experimentei, no colegio, forma melhor de conhecer pessoas aleatorias tao a fundo quanto esse jeito que foi encontrado. Aprende-se a adimira-las e respeita-las muito mais, tambem.

Poesia diz muito sobre a gente.



The invitation
(o convite)

It doesn’t interest me
Nao me interessa
what you do for a living.
do que voce vive.
I want to know
Eu quero saber
what you ache for
qual é a sua dor
and if you dare to dream
e se voce se atreve a sonhar
of meeting your heart’s longing.
em encontrar os desejos do seu coraçao.


It doesn’t interest me
Nao me interessa
how old you are.
a sua idade.
I want to know
Eu quero saber
if you will risk
se voce arriscara
looking like a fool
parecer um bobo
for love
por amor.
for your dream
pelo seu sonho.
for the adventure of being alive.
pela aventura de estar vivo.


It doesn’t interest me
Nao me interessa
what planets are
que planetas estao
squaring your moon...
enquadrando sua lua...
I want to know
Eu quero saber
if you have touched
se voce ja tocou
the centre of your own sorrow
o centro da sua propria magoa
if you have been opened
se voce ja foi aberto
by life’s betrayals
pelas traiçoes da vida
or have become shrivelled and closed
ou se tornou amedrontado e fechado
from fear of further pain.
pelo medo de dores maiores.


I want to know
Eu quero saber
if you can sit with pain
se voce pode sentar-se com dor
mine or your own
minha ou sua
without moving to hide it
sem mover-se para esconde-la
or fade it
ou disfarça-la
or fix it.
ou corrigi-la.


I want to know
Eu quero saber
if you can be with joy
se voce pode ter alegria
mine or your own
minha ou sua
if you can dance with wildness
se voce pode dançar com selvageria
and let the ecstasy fill you
e deixar o ecstasy te dominar
to the tips of your fingers and toes
ate as pontas dos dedos das maos e dos pes
without cautioning us
sem nos avisar
to be careful
para que sejamos cuidadosos
to be realistic
para que sejamos realistas
to remember the limitations
para que lembremos das limitaçoes
of being human.
de ser humanos.

It doesn’t interest me
Nao me interessa
if the story you are telling me
se a historia que voce me conta
is true.
é verdade.
I want to know if you can
Eu quero saber se voce pode
disappoint another
desapontar o proximo
to be true to yourself.
para que seja verdadeiro consigo mesmo



If you can bear
Se voce pode suportar
the accusation of betrayal
a acusaçao de traiçao
and not betray your own soul.
e nao trair sua propria alma.
If you can be faithless
Se voce pode ser desleal
and therefore trustworthy.
e consequentemente confiavel.


I want to know if you can see Beauty
Eu quero saber se voce pode ver Beleza
even when it is not pretty
mesmo quando o belo nao esta presente
every day.
todos os dias.
And if you can source your own life
E se voce pode originar sua vida
from its presence.
da sua presença.


I want to know
Eu quero saber
if you can live with failure
se voce poderia viver com a falha
yours and mine
sua e minha
and still stand at the edge of the lake
e ainda parar a beira do lago
and shout to the silver of the full moon,
e gritar para a lua cheia e cinza
“Yes.”
"Sim."

It doesn’t interest me
Nao me interessa
to know where you live
saber onde voce vive
or how much money you have.
ou quanto dinheiro voce tem
I want to know if you can get up



Eu quero saber se voce pode levantar-se
after the night of grief and despair
depois de uma noite de angustia e desespero
weary and bruised to the bone
exausto e ferido até os ossos
and do what needs to be done
e fazer o que precisa ser feito
to feed the children.
para alimentar as crianças.


It doesn’t interest me
Nao me interessa
who you know
quem voce conhece
or how you came to be here.
ou como voce veio parar aqui.
I want to know if you will stand
Eu quero saber se voce vai ficar
in the centre of the fire
no centro do fogo
with me
comigo
and not shrink back.
sem recuar.


It doesn’t interest me
Nao me interessa
where or what or with whom
onde ou o que ou com quem
you have studied.
voce estudou


I want to know
Eu quero saber
what sustains you
o que te sustenta
from the inside
por dentro
when all else falls away.
quando todo o resto desaba

I want to know
Eu quero saber
if you can be alone
se voce pode estar sozinho
with yourself
com voce mesmo
and if you truly like
e se voce verdadeiramente gosta
the company you keep
da companhia que voce tem
in the empty moments.
nos momentos de vazio.

by Oriah.